31 outubro, 2009


Metade pássaro
A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas aos rios,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.

(murilo mendes)

14 outubro, 2009



só silencio
se não não notaria
a tempestade
que é a calmaria

05 outubro, 2009

“A ilusão que uma pessoa mantém sobre si mesma e sobre os outros não é essencialmente diferente da ilusão que grupos, classes ou partidos alimentam sobre si próprios e para si próprios. Mais ainda,elas derivam de uma única fonte:as idéias dominantes, que são as idéias da classe dominante, mesmo que sob a sua forma antagônica”.


(VANEIGEM,R.2002 , 47, “A arte de viver para as novas gerações”)

04 outubro, 2009

POESIA MACIA



À venda, na Rua São José , 666 , Estudio Davi Tattoo , no centro de Ribeirão Preto

o livreto independente POESIA MACIA , de Flávio Louzas Rocha, uma reunião de poemas

transbordélicos pós marginalismos e concretismos líquidos se desmanchando no ar elaborados

entre Brasília, Ouro Preto e Ribeirão Preto.



POESIA MACIA

(folha dupla é exagero)

Reunião d’alguns poemas de Flávio Louzas Rocha




Vou me dedicar
A um só poema
Perfeito em rimas e métricas e características do estilo
Um só poema
A vida inteira

Mas primeiro
Quero achar alguém de confiança
Pra colocar o ponto final caso eu venha a falecer.

Até lá quero mais é a poesia
Truncada
Poesia de tesouras
De tesouros impedidos
Seção de (R)Achados e perdidos



R$ 12,00 o livro, para ajudar na próxima edição e pagar essa...

01 outubro, 2009

PEQUENOS CONTOS DO ATELIER




Mistério do sol poente
Acabando com o dia da gente

A gente cansada do dia
Todo dia

Todo dia a vertigem da noite
Toda noite, todo dia

Um dia a poesia lhe bate na porta
E você : hoje não!

Antes de ir pra nunca mais
Ela pergunta, como quem diz adeus:
Então, que dia?


Solene
Sobe e desce o sol
Nascente norte
Morte ao sul
Noite

Uiva ao solo
Ferido
O coiote


Sexo sábio:
Rápido o suficiente pra dizer que durou uns ais
Lento apenas pra salpicar a paixão de dúvida

Amanhã eu me declaro
E claro
Fazemos disso no escuro um pouco mais prolongadamente



Risco
E o poema sai da toca

Risco
E teu rosto se refaz em cinza

Risco
Se refaz em chumbo

Risco
Não se faz em vinil

Não!
Se não a gente não sai mais disso...



Saímos prum samba lá na casa do caramba
Não teve samba
Levei ela pra dançar na gafieira
Não teve nada lá
Levei ela pra nadar no mar
E
Adivinha
Secou
Levei ela pra casa

Daqui eu não saio
Daqui ela não saia

Se não eu me atiro


Tabititab
Toca o baterista
Jazzista no wisk noctâmbulo
Lado a lado com a cerveja
Que passeia
Às custas do garçom

Solo
Aplausos
Final de show

Traz mais wisk, taxista,
New Orleans
afundou


POESIA de CrianÇAS
vamos pra lua
levar todas as letras
e tudo o que com elas começar

pode levar
amigos
e uma bola pra jogar queimada,
uma bola pra jogar bola
e uma bola só pra passear

caiaque, que na lua é moda
leva corda pra pular e pra amarrar o dragão
leva um violão
que o som da lua é o maior barato

levaremos dês, ês, éfes, gês e gatos,
cachorros, papagaios, plantas, água e comida
pra uma multidão.

Bolo, agás, is, uis, ois, e um abraço de despedida
Pra hora triste da partida.

Vamos levar bolo,
Brigadeiro, balões e uma festa.
Depois do parabéns,
Dos abraços e presentes,
Pegamos tudo de volta, e voltamos
Que a saudade pediu, lá na lua,
Pra vir ver o sol da janela da nossa casa.





Orientadores:

Clarissa Ayres é bacharel e licenciada em Filosofia, aluna do Mestrado em Filosofia – Estética do Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto. Sua pesquisa, embasada na obra de Friedrich Nietzsche, procura elucidar as relações estéticas e éticas que desenvolvemos cotidianamente, priorizando a conduta de preservação e cultivo de si, em busca de novos sentidos para o que possa ser a “liberdade”.


Flávio Louzas é arte educador, licenciado em Artes Cênicas, atua como palhaço e ator há seis anos. Sua pesquisa com máscara e teatro de rua procura caminhos da expressão teatral cômica, grotesca e do absurdo, em que os atores são levados à dilatação gestual para exercer seu papel como articuladores do espetáculo. Atualmente cursa a pós graduação em Comunicação: Linguagens Midiáticas, em busca de agregar novos sentidos e possibilidades às linguagens reunidas na forma teatral.

Junte-se à nossa casa!